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DOS ESTATUTOS
| Artº 1º São objetivos principais da CRUZ AZUL DE SÃO PAULO, manter um serviço de assistência permanente às famílias dos militares da Força Pública e dos Legionários Paulistas, organizar Escolas Maternais e Jardins de Infância, para os filhos desses servidores. |  | | | Prestar socorro e proteção aos feridos, enfermos e necessitados, em caso de guerra, nos campos de batalha ou fora dele; assim como em caso de calamidade pública. Parágrafo Único - É também seu objetivo a proteção imediata aos animais, principalmente aos que são empregados como auxiliares das tropas, na paz e na guerra.
| | | Conforme esse Estatuto, estava fundada, no dia 28 de julho de 1925, a Associação das Damas da Cruz Azul de São Paulo. A idéia de se organizar uma instituição nesse sentido surgiu em 1924. Naquele ano, devido a Revolução, batalhões da Força Pública de São Paulo estavam em diversos pontos do Brasil. Com isso, as famílias dos soldados muitas vezes ficavam desamparadas, o que sensibilizou uma comissão de damas da sociedade da época que, juntamente com o Coronel Pedro Dias de Campos, Comandante Geral da Força Pública, resolveu fundar a Instituição. Em princípio, determinaram que o nome da Instituição fosse apenas Cruz Azul de São Paulo para que os homens pudessem fazer parte de sua diretoria. Desde o início, ganhou a simpatia e o acolhimento da população. E logo os primeiros donativos começaram a chegar. Eram vários, de pessoas da sociedade, do batalhão do Corpo de Bombeiros, de Câmaras Municipais de cidades do interior do Estado, como Bauru e Fartura, e dos próprios oficiais. Só para citar um exemplo, os praças do 4° Batalhão da Força Pública, em novembro de 1925, fizeram uma doação em dinheiro, proveniente de economias do contingente da unidade em operações de guerra no Mato Grosso. Além disso, outras instituições como creches e orfanatos cederam algumas vagas as crianças acolhidas pela Cruz Azul. 0s pedidos de adesões de sócios também foram muitos e significativos.
| | A imprensa deu grande destaque à inauguração. E até alguns jornais do exterior noticiaram o fato. 0 Jornal do Comércio, no dia 16 de dezembro de 1925, deu a seguinte notícia: "É bastante animador o acolhimento que a nova Associação da Cruz Azul de São Paulo tem tido por parte da população paulistana. Criada recentemente, graças à boa vontade encontrada, vem realizando com raro brilhantismo os pontos de seu programa, visando aos fins humanitários de sua criação". | | | Com isso tudo, foi possível a Cruz Azul colocar em prática seus ideais. Um grupo de senhoras fazia visitas domiciliares às famílias, atendendo casos urgentes de doenças, ajudando a matricular crianças em escolas e internatos e em outras necessidades. Além disso, em novembro de 1925, era inaugurado o primeiro Grupo Maternal, na Avenida Tiradentes, que logo já compreendia um hospital para crianças, uma creche e um jardim de infância. Em seguida, era montado um Instituto Infantil no bairro do Barro Branco, um internato para os filhos dos militares. Paralelamente as ações beneméritas, a Cruz Azul promovia periodicamente eventos sociais para reverter o que fosse arrecadado em seu benefício, como o Concurso Hípico de 6 de março de 1926 ou o Festival Dançante de 20 de abril do mesmo ano. Todos faziam grande sucesso e colaboravam de forma significativa para melhorar as precárias condições em que viviam as famílias de alguns militares.
|  | As ações não paravam. No segundo aniversário da Cruz Azul, era inaugurado um Ambulatório de Clínica Geral e Infantil, na Avenida Tiradentes. E, alguns anos depois, em 1929, começava a ser construído um hospital no Cambucí. Intensificaram-se, então, os eventos em prol da arrecadação de fundos para a finalização desse último e ousado projeto. Alguns deles foram promovidos fora de São Paulo, em cidades como Sorocaba, Campinas, Rio Claro e Mogi das Cruzes. Foi organizado um time de futebol, o "Cruz Azul Futebol Clube" - algumas de suas vitórias puderam ser revertidas em verba - e um conjunto musical, o "Jazz Band Cruz Azul", que tocava nos festivais promovidos pela instituição. |
| | Mas, apesar dos esforços para angariar fundos, a Cruz Azul não tinha o montante necessário para a finalização do hospital. Em seus cofres havia 400 contos de réis e a construção estava orçada em 700 contos. A diretoria da época, acreditando na generosidade do povo paulista, não hesitou em iniciar as obras assim mesmo. Contudo, mesmo com mais algumas contribuições, a construção, durante um período, ficou ameaçada de paralisação. Com muito esforço, com a ajuda de pessoas importantes, entre elas a do governador Pedro de Toledo, e com uma grande divulgação por parte da imprensa, que fazia um apelo a generosidade da população paulista, finalmente no dia 28 de julho de 1935 o Hospital e Maternidade Santa Maria, como foi chamado, abriu suas portas. Extremamente moderno para a época, mereceu uma reportagem de destaque no jornal "Correio Paulistano" do dia 21 de julho daquele ano, que dizia o seguinte: "A capacidade hospitalar é, ao todo, de 150 pessoas, sendo que para as gestantes e de 48 folgadamente. As enfermeiras de gestantes possuem salas especiais. Merece menção o aparelho de Raio-X cuja mesa é movida a motor, e que foi importado recentemente da Alemanha. Considerado um dos melhores aparelhos do gênero existentes entre nós. 0s quartos estão divididos em três classes: de 1ª são os de luxo, com apartamentos; os de 2ª e os de 3ª classes. Existem igualmente os quartos de duas camas, para pensionistas, e uma sala de conferências. Quatro ou cinco amplos terraços, instalações sanitárias completas, cozinha com fogões à óleo, enfim, todo o conforto hospitalar". Além disso, o hospital contava com enfermaria infantil e um amplo jardim, motivo de muitos elogios e comentários. Ao mesmo tempo em que a Cruz Azul dava esse importante passo, continuava realizando outras ações, como a formatura da 2ª turma de alunas do curso de enfermeiras de guerra, e enfrentava dificuldades em outros setores, precisando improvisar de vez em quando. No ambulatório, por exemplo, um único médico atendia a todos os pacientes, auxiliado apenas por alguns enfermeiros e irmãs de caridade. Além disso, eles precisavam de um esterilizador para as garrafinhas do leite distribuído diariamente às crianças. Isso custaria muito. Resolveram o caso adaptando uma velha caldeira do Corpo de Bombeiros. Frente à essas dificuldades, viram a necessidade da construção de uma novo ambulatório. E mais uma vez, unindo esforços, a Cruz Azul inaugurou o novo prédio em julho de 1938, na Rua Jorge Miranda. De lá para cá, foi só crescimento. Em 1976, foi construída a torre de internação do hospital e, em 1978, foi fundado o Colégio de Polícia Militar de São Paulo. Para a Cruz Azul, o sucesso de suas empreitadas deveu-se principalmente aos esforços das pessoas que dela participaram e a crença de que mesmo os momentos difíceis servem de incentivo para continuar derrubando barreiras e superando limites. Prova disso é a estrutura atual do hospital e do colégio e suas boas perspectivas para o futuro.
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